Tudo sobre a cobrança de recargas de carros elétricos no Brasil

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14/05/2021

O Brasil tem discutido muitos temas relacionados ao contexto dos carros elétricos - suas vantagens e desvantagens, como fazer uma recarga, onde fazer uma recarga, a possibilidade (ou não) de realizar tal recarga em casa, as diferentes aplicações dos veículos elétricos e, por último, mas não menos importante, os custos envolvidos na compra e operação de tal veículo.

O carro elétrico cada vez mais acessível

A análise de custos é relevante para qualquer novo produto e serviço e representa um indicador decisivo para determinar a velocidade e propagação desta tecnologia. Quanto aos carros elétricos, sabe-se que seu valor de aquisição ainda é pouco atrativo para a sua adoção em massa.

Por enquanto, o que se percebe é sua adesão por parte de empresas com capacidade de investimento e por pessoas com alto poder aquisitivo ou amantes de tecnologia, que podem priorizar o investimento em um veículo de maior valor.

Não obstante, os preços dos carros elétricos têm caído progressivamente, e, segundo um estudo da Bloomberg NEF, o componente principal do preço de um veículo elétrico, a bateria, caiu 87% de 2010 a 2019. Além disso, o estudo prevê uma equiparação dos preços entre veículos elétricos e à combustão até 2025.

Hoje se cobra pela recarga no Brasil?

Outro custo a ser considerado quando se fala de carros elétricos é o da recarga e, atualmente, a recarga em eletropostos de uso público (aqueles sem restrição de acesso) não é tarifada, o que significa dizer que o usuário pode realizar a recarga e ir embora sem efetuar qualquer tipo de pagamento pelo serviço.

Em eletropostos localizados dentro de estacionamentos, condomínios e outros estabelecimentos, este uso pode ser cobrado, seja embutido no valor do ticket de estacionamento, ou ao final do mês pelo síndico ou administradora, respectivamente.

Da forma semelhante ao que se faz em relação a outros temas discutidos na eletromobilidade atualmente, para entender quais caminhos a tarifação de recargas elétricas pode tomar no Brasil, é necessário olhar para fora, ou seja, para outros países nos quais o segmento está muito à frente.

Como acontece em outros lugares do mundo?

Considerando os países que já experimentam a mobilidade elétrica há mais tempo, como os da Europa e os Estados Unidos, vê-se que as recargas são tarifadas e diferentes redes de recarga exploram o serviço.

Estima-se que, nos Estados Unidos, a recarga completa de um Tesla Model X custa $15.29, valor que leva em consideração um veículo com uma bateria de 100 kWh e com eficiência de recarga de 85%. Este valor, no entanto, considera o custo de kWh para residências. Destaca-se que lá também os preços da energia elétrica recebida em casa variam de acordo com a localidade.

No Reino Unido, por sua vez, o custo estimado para recarregar totalmente a bateria do mesmo carro elétrico em um ponto público de recarga seria de £30.

Quando se fala em recargas públicas, a variação de preços por recarga é muito grande. Tem-se modelos de cobrança que operam com um valor único por recarga, outros por minutos, por kWh - opção bem conhecida - com uma taxa fixa mensal, ou, ainda, os estabelecimentos que têm o carregador como um atrativo para novos clientes e para que se passe mais tempo consumindo e que, por isso, não cobram a recarga.

Benefícios e potencial na cobrança de recargas no Brasil

É notável, portanto, que a tarifação de recarga em pontos públicos é uma realidade em países nos quais a mobilidade elétrica se desenvolve há mais tempo. Consequentemente, pode-se entender que, apesar de hoje não existir tal tipo de tarifação no Brasil, trata-se de algo comum em mercados mais maduros.

Ao mesmo tempo, já existem discussões sobre a cobrança nas operadoras de rede de recarga nacionais, que se preparam para tornar o país um mercado competitivo também na mobilidade elétrica, dado o nosso grande potencial quando se trata de número de carros.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, em 2020, o Brasil somou 58.016.405 veículos. Sabe-se que, atualmente, apenas uma pequena fração deste total é de carros elétricos, mas assim que este número aumentar (o Boston Consulting Group - BCG, prevê que, até 2030, 5% da frota será elétrica, o que representaria algo em torno 2 milhões de carros elétricos), será necessária uma forte infraestrutura de recarga para dar suporte à demanda e, com a sua tarifação, tem potencial para se tornar um ótimo negócio.

A opção por cobrar a recarga de elétricos é interessante não só para o provedor da rede de eletropostos, mas também para o usuário, que passa a contar com um serviço de maior qualidade, com mais suporte e segurança. Além disso, a partir do momento em que as redes de recarga obtêm algum lucro, sua expansão ganha força e a quantidade de carregadores disponíveis para o público tende a crescer. Hoje em dia é comum ouvir dos proprietários de veículos elétricos que faltam pontos de recarga e que pagariam por uma recarga de qualidade.

Estamos prontos para tarifar?

Na linha do exposto anteriormente, o Brasil ainda não conta com a cobrança de recargas para pontos públicos, apesar disso, as entidades regulamentadoras demonstraram sua atenção ao tema, notadamente por meio da resolução 819 de 2018 da Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, que estabeleceu os procedimentos e condições para atividades de recarga de veículos elétricos.

A mais relevante disposição da referida resolução sobre o tema se encontra no Art. 9, que, em suma, permite a exploração comercial, a preços livremente negociados, da recarga de veículos elétricos.

Entende-se, a partir de tal disposição, que se pode comercializar a recarga de carros elétricos no Brasil. Contudo, para que a exploração comercial aconteça, é necessária ainda uma mínima segurança jurídica no que tange à forma correta de tributação desta venda de recarga.

Neste sentido, a discussão que mais tem ganhado força é na direção de entender qual seria a forma apropriada de tributar a venda de energia para recarga de carros elétricos, será considerando-a como um produto ou como um serviço? Pode parecer um aspecto pequeno, porém, existem alíquotas com diferenças significativas para uma ou outra forma de tarifação, as quais se acentuam ao considerar estados e municípios distintos.

Assim, para que o interessado em investir em uma rede de recargas possa efetivamente fazê-lo, é imprescindível entender qual o seu real custo de operação, que hoje não está totalmente claro, principalmente por conta da discussão de temas tributários.

Como cobrar as recargas hoje? Existe tecnologia para isso?

Enquanto os aspectos tributários da cobrança de recargas podem ser complicados, quando se fala de experiência do usuário no momento de pagamento e do gestor no da cobrança, a simplicidade e facilidade prevalecem, aliadas à informações para embasar a tomada de decisão.

A ideia de um sistema de pagamento de recargas para carros elétricos, conforme acredita a Voltbras, deve ser a mais descomplicada possível. Através do sistema desenvolvido internamente, busca-se dar ao gestor da rede de recargas a facilidade de, com poucos cliques, inserir tarifas distintas para os diferentes tipos de conectores (visto que o processo de recarga também pode diferir entre eles), bem como tarifas diversas para os eletropostos (os preços podem variar de acordo com o ponto no qual o eletroposto está localizado e com o público que o acessa, por exemplo), e ter as novas tarifas operando em tempo real, em toda a rede, seja ela de uma dezena ou milhares de eletropostos.

Para mais do que facilidade de aplicar novos preços, o sistema de tarifação da Voltbras oferece segurança. Todas as transações são realizadas por meio de cartão de crédito previamente cadastrado e com uma pré-aprovação de crédito para cada cartão, garantindo que o consumidor da recarga terá o saldo suficiente para arcar com suas despesas. Quanto à segurança especificamente, todas as operações feitas contam com tecnologia antifraude.

Todas as tarifas praticadas, datas de alteração das tarifas, recargas feitas - bem como suas datas, horários, duração, custo e quantidade de energia transacionada, valores recebidos e outras informações relevantes para a gestão estarão, também, a poucos cliques do gestor da rede.

Assim, mesmo que se esteja operando uma rede com centenas de conectores aplicando preços diferentes, se terá a visão completa e atualizada de tudo o que acontece em cada um deles e se poderá tirar dados imprescindíveis para o crescimento do negócio, como quais preços são mais aceitos pelos consumidores, quais tarifas podem ser aumentadas, quais eletropostos têm mais movimento, entre outros.

Ainda sobre o módulo de tarifação da Voltbras, destaca-se uma especial característica da tecnologia disponível, que é o chamado split payment. O modelo de receita dividida é, basicamente, de separação dos valores recebidos a título da recarga entre os diferentes envolvidos no fornecimento do serviço de recarga.

Para exemplificar, suponha-se que o eletroposto está localizado no estabelecimento X, foi instalado e será operado pela empresa Y. Em seu acordo comercial, ambas as partes entendem que cada uma delas deverá obter uma parcela pré acordada do valor recebido com as recargas.

Com a tecnologia Voltbras, o montante destinado a cada uma delas é enviado à sua respectiva conta bancária no momento em que o cliente faz o pagamento, desta forma, evita-se a bitributação e o repasse do dinheiro, que é feito automaticamente e poupa os sócios de eventuais problemas.

Por fim, quando se fala do usuário da rede de recargas, a experiência proporcionada pela tecnologia de cobrança de recargas da Voltbras busca igualmente fornecer segurança e facilidade. Assim como acontece quando se pede um Uber ou um iFood, o cartão mais adequado será cadastrado no App Voltbras, e após a rápida pré-aprovação de crédito, está tudo pronto para o consumo de recargas pagas.

Usando o App Voltbras, o usuário tem a visão de qual o valor a ser pago pela recarga em cada um dos conectores desejados e pode tomar sua decisão antes de se dirigir até o eletroposto, evitando que chegue até o local para descobrir que o valor cobrado é mais alto do que esperava, por exemplo.

Chegando ao eletroposto, bastará seguir para o desbloqueio da estação, e, a partir do momento em que for iniciada a recarga, passará a ter disponíveis os dados de quanta energia já foi enviada para o carro elétrico, qual a duração da recarga e qual o valor cobrado pela recarga até então. O usuário pode, também, encerrar a recarga quando quiser, tendo uma experiência semelhante àquela de “abastecer 50 reais”, visto que terá a informação de qual valor lhe está sendo cobrado a todo o tempo.

O objetivo da é facilitar o desenvolvimento dos diferentes negócios na mobilidade elétrica, sendo um parceiro estratégico ao fornecer a tecnologia necessária tanto para tarifar recargas quanto para gerir, de forma eficaz e simples, qualquer negócio. Também buscamos estar à altura da rápida evolução do mercado da eletromobilidade, fornecendo tecnologias de ponta para que negócios inovadores ganhem espaço.

Texto por: Ana Luíza Berti, diretora comercial na Voltbras.

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