Entenda o mercado da mobilidade elétrica e os seus agentes

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25/05/2021

O mercado da mobilidade elétrica se estruturou, no mundo todo, como uma ampla gama de produtos e serviços associados que, juntos, garantem a experiência de recarga do usuário final - aquele que dirige um veículo elétrico.

Quando se trata de um serviço com tanta tecnologia e inovação envolvida, torna-se mais fácil conceber que cada parte do processo de levar energia até um carro elétrico seja abraçada por um agente altamente especializado nesta tarefa, tornando complexo e confuso para novos entrantes neste mercado entender seu pleno funcionamento.

Para que a energia chegue até o veículo muitas engrenagens precisam funcionar, começa-se com o abastecimento de energia para o eletroposto e segue-se para o eletroposto em funcionamento e fornecendo energia para o veículo elétrico, depois, é necessária uma forma para o usuário encontrar o ponto de recarga disponível, um local adequado para que o veículo estacione enquanto realiza a recarga, um espaço preparado para receber o motorista deste veículo durante a recarga, uma operação confiável daquele ponto de recarga para atuar em eventuais falhas, uma tecnologia para cobrança da energia consumida pelo veículo elétrico e, por fim, mas não menos importante, uma forma de entender os clientes e melhorar o serviço oferecido através de feedbacks e acompanhamento constante dos eletropostos.

Dado o contexto de constante e rápida evolução do mercado da mobilidade elétrica no Brasil, diferentes atores têm surgido e se dedicado aos diferentes papéis envolvidos no serviço de recargas. Ao mesmo tempo, é natural que, no início, as empresas abarquem mais de um serviço ou produto e, com o amadurecimento delas mesmas e do mercado, acabem por se especializar em uma atividade específica.

Sendo assim, serão abordados os diferentes agentes da eletromobilidade, bem como o papel da Voltbras neste cenário.

CPO - Charge Point Operator

É o agente responsável por prover e operar a infraestrutura de recarga, destacadamente o eletroposto. Sua atuação se dá principalmente em pontos públicos de recarga, mas também em pontos comerciais. Normalmente o CPO será ativado para resolver falhas dos eletropostos ou dar suporte aos usuários.

Para operar de forma assertiva uma rede de eletropostos em diferentes localidades, o CPO tende a fazer uso de um Charging Station Management System ou CSMS, que é uma tecnologia para centralizar a gestão dos eletropostos em campo e controlar as suas funções operacionais.

Este sistema precisa ser confiável, afinal, é dele que virão as informações utilizadas para orientar as ações do operador, portanto, trata-se de uma peça chave no negócio de um CPO, principalmente quando se considera a economia que um bom sistema pode proporcionar ao evitar gastos de deslocamento e pessoal ao eletroposto, quando se pode resolver um problema através da própria Plataforma de gestão como a fornecida pela Voltbras.

Da mesma forma, pode-se ganhar em oferta de serviços por não ser necessário ter funcionários fazendo a observação dos pontos de recarga no local, pois uma boa plataforma de gestão consegue fornecer um retrato ainda mais detalhado do eletroposto, o que abre oportunidade de oferecer, por exemplo, monitoramento 24 horas ou serviços preventivos de operação do eletroposto.

MSP - Mobility Service Provider

O MSP é aquele que provém os serviços na mobilidade elétrica, principalmente no tocante a interface entre o usuário final e os eletropostos, oferecendo o serviço de recarga para motoristas de carros elétricos, com contratos a intermediar esta relação entre motoristas e o serviço de recarga ofertado.

Dentre as facilidades oferecidas por um MSP para o usuário, está a disponibilização de uma rede de recargas com uma boa quantidade de eletropostos disponíveis e, para mais do que apenas disponibilizar os eletropostos, espera-se que um MSP o faça de forma a facilitar o uso, oferecendo dados de disponibilidade em tempo real do ponto de recarga, indicando o melhor caminho até a estação e permitindo que a recarga (caso cobrada) seja paga de forma simples e informada.

Considerando uma prestação de serviços otimizada e a tendência observada na Europa, os MSPs tendem a buscar um parceiro especialista em tecnologia para oferecer este serviço, focando seus esforços na parte de negócios e no relacionamento com o cliente, mas sem deixar de trabalhar sua marca, optando, em grande parte das vezes, por tecnologias que forneçam opções White Label.

Backend Provider

Quando se trata de tecnologia, principalmente, uma figura importante é o Backend Provider (exemplo da Voltbras), cujo papel consiste no fornecimento de tecnologia para CPOs e MSPs operarem suas redes, com foco na captação e gestão de dados. Algumas funcionalidades que podem ser entregues são a autorização dos usuários para iniciarem a recarga, pagamento das recargas feitas e o roaming (será explicado a seguir) entre diferentes redes de eletropostos.

Os Backend Providers podem ter o relevante papel de estabelecer o roaming entre as diferentes redes de recarga e o usuário. De forma breve, o roaming significa justamente fazer a conexão, a nível de tecnologia, entre os diferentes CPOs e MSPs. O objetivo desta conexão é facilitar o consumo do serviço pelo cliente final, visto que uma maior gama de eletropostos passa a estar disponível através de um único App e que o pagamento das recargas também será feito de uma mesma forma, tornando a experiência de uso mais simples e agradável.

Neste cenário, o Backend Provider seria responsável por mostrar ao usuário final todos os eletropostos à sua disposição, também por fornecer a tecnologia de cobrança de recargas e repassar o valor correspondente a cada CPO e MSP envolvido.

Um exemplo da relevância do roaming pode ser observado na Europa, onde a ausência de um roaming estruturado concomitantemente ao crescimento do mercado da eletromobilidade fez surgir diversos aplicativos diferentes para uso dos eletropostos, bem como inúmeras formas de pagamento distintas. Quem usa um carro elétrico por lá está acostumado a ter diversos aplicativos diferentes, com cadastros e meios de pagamento diferentes, para poder fazer suas rotas e consumir as recargas.

No primeiro episódio do Voltcast, - o primeiro podcast focado em mobilidade elétrica do Brasil, produzido pela Voltbras -, o convidado Vitor Hugo Schwaab, que trabalha na Plugsurfing, contou a confusa realidade dos motoristas de carro elétrico na Europa, e a insatisfação gerada pela falta de uma centralização mais clara dos diferentes CPOs. A insatisfação dos usuários se acentua quando realizam trajetos que atravessem os diferentes países.

Como se forma uma prestação de serviços completa na mobilidade elétrica?

Conforme o caderno de carros elétricos apresentado pela FGV Energia, em parceria com a Accenture, em maio de 2017, a cadeia de valor da mobilidade elétrica pode ser representada da seguinte forma:

Cadeia de valor mobilidade elétrica

Destaca-se que, conforme indica a legenda, as oportunidades representadas pelo azul mais claro são aquelas que se referem somente ao contexto de mobilidade elétrica, ou seja, oportunidades únicas trazidas pelo mercado.

Pode-se notar que as colunas 7 e 8 dizem respeito ao anteriormente mencionado CPO, e, no que tange à recarga para o consumidor, a 8 pode indicar a presença de um MSP, enquanto as 9, 10 e 11 se referem ao Backend Provider. As primeiras colunas tratam da produção e venda dos equipamentos necessários para a operação com elétricos, tema que não será abordado com maior profundidade nesta oportunidade.

Considerando os diferentes agentes previamente mencionados e a cadeia de fornecedores para a criação de valor na mobilidade elétrica trazida acima, conclui-se que, para ofertar um serviço de recarga ao consumidor final, todos os agentes indicados precisam cooperar. Caso contrário, haverá alguma parte da experiência do usuário que ficará pendente, como o exemplo da falta de um roaming mais significativo na Europa, cuja consequência é o incômodo do motorista de carro elétrico no momento da recarga.

Na mesma linha, não seria possível prestar um bom serviço de recargas sem um CPO eficiente, que tenha em seu controle toda a rede de eletropostos e sua situação em tempo real, evitando quaisquer problemas para o cliente.

Por vezes, uma só empresa pode acabar assumindo o papel de mais de um agente na cadeia de fornecimento do serviço, uma fabricante de carregadores que se torna também CPO, um CPO que decide ter sua própria tecnologia e investe em se tornar também um Backend Provider, entre outros. Esta realidade é presente principalmente quando se fala num mercado em ascensão, no qual usualmente não existem empresas disponíveis para realizar cada um dos papéis listados, fazendo com que as pioneiras, em muito para facilitar a sua própria operação no mercado, se desafiem também a abraçar outras responsabilidades.

Não obstante, o que se observa com certa frequência é uma tendência à especialização no mercado em geral. Novamente olhando para mercados mais maduros na eletromobilidade, como o da Europa e dos Estados Unidos, vê-se uma presença muito forte de empresas que realizam apenas um dos encargos, seja o de CPO, MSP ou Backend Provider.

De forma contrária aos mercados jovens, os mais desenvolvidos contam com investimento e tecnologia aplicados exclusivamente para cada parte da cadeia, gerando a mencionada especialização. Neste cenário, a parceria e operação conjunta entre os diferentes atores é certamente fundamental.

Como a Voltbras atua neste cenário

Considerando a ampla gama de papéis existentes e os brevemente discutidos neste artigo, pode-se afirmar que a Voltbras, hoje, adota um posicionamento voltado à Backend Provider. No entanto, assim como naturalmente ocorre com mercados em crescimento como o brasileiro, a Voltbras já se aventurou em outros modelos de negócio e propostas, tendo, a partir do amadurecimento da empresa e do mercado, se fixado no que faz com maestria, a tecnologia para dar base aos diferentes negócios na mobilidade elétrica.

Portanto, posiciona-se com segurança como um provedor nacional de tecnologia, na verdade o primeiro provedor nacional desta tecnologia, que entende e cresceu junto do mercado brasileiro da eletromobilidade e hoje tem como objetivo facilitar o desenvolvimento dos demais negócios no setor.

Texto por Ana Luíza Berti, Diretora Comercial na Voltbras.

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